SINTRA FILOSOFAL

 

O PALÁCIO DA PENA OU DO GRAAL  E  "QUINTA DA REGALEIRA" 

 

 

     Este é o majestoso " Castelo do Santo Graal ", o mais belo de Portugal, construído no chamado monte da Lua em 1503 ainda na forma de capela erigida inicialmente em devoção à Stª Maria de Sintra na Idade Média, onde  em 1493 D. João II e D. Leonor vieram pagar promessas a este lugar onde não havia ainda qualquer castelo ou palácio. Rapidamente depois evoluiu de capela para Mosteiro (de Frades Hieronimitas) que ficou praticamente todo destruido em 1755 com o Terramoto sobre Lisboa, ficando apenas intacta a capela-mor inicial. Foi o príncipe D. Fernando que em 1838 adquiriu o velho Convento e decide mandar reconstrui-lo e ampliá-lo na forma de Castelo Romântico tal como o vemos hoje e que se tornou a "casa de verão" da Familia Real Portugesa que ali desfrutou dos encantos e maravilhas do local.

    Sintra foi de facto lugar de eleição de Reis e Senhores de Porto-Graal que sabiam algo mais do que a história nos diz a respeito deste "Chakra da Nação". Aliás, por alguma razão ali se realizam encontros periódicos de pessoas ou grupos ligados aos movimentos gnósticos, teosóficos, teúrgicos, templários, etc., em determinadas datas festivas ligadas a rituais  que coincidem com solstícios  e equinóceos, destacando-se as de João Baptista em Junho e João Evangelista em Dezembro, além de outras.

    Sintra é pois um grande foco de energia que vem do interior da Terra simbolizada como a "Kundalini"  na Mansão Filosofal  (na Qtª da Regaleira)  com seus mistérios ocultos cheios de alquimia espiritual (ver video clicando na imagem em baixo e volte à página).

 

 

 "  Construida entre 1904 e 1910, no derradeiro periodo da monarquia, este maravilhoso lugar terá pertencido aos capuchinhos ou franciscanos nos séculos XV-XVI e talvez fosse dos trinitários desde os finais do século XIII. Em 1715 as terras terão sido novamente arremetadas e em 1800 são cedidas provisoriamente, sendo que por volta  do ano 1830 a já chamada Qtª da Torre é baptizada  de Regaleira pelos muitos benefícios que se deu ao espaço reconstruido. Em 1840 a Quinta é adquirida por uma viúva que recebeu o título de Baronesa da Regaleira das mãos de D.Fernando II. Finalmente, em 11 de Dezembro de 1893, a propriedade entra na posse do Dr. António Augusto Carvalho Monteiro que a comprou por 25 contos de réis para fundar o seu lugar de eleição.  Em 1896 ele anexa, à Quinta, parte do terreno do Campo dos Seteais, ficando aquele espaço com 5 hectares.  Detentor de uma fortuna prodigiosa que lhe valeu a alcunha de "Monteiro dos Milhões", associou ao seu singular projecto de arquitectura e paisagem o génio criativo do arquitecto e cenógrafo italiano Luigi Manini (1846-1936) bem como a mestria dos escultores, canteiros e entalhadores que com ele haviam trabalhado no Palace Hotel do Buçaco. Homem de espirito cientifico, vastíssima cultura e rara sensibilidade, bibliófilo notável, coleccionador criterioso e grande filantropo, deixou impresso neste "livro de pedra" (A Regaleira) a visão de uma cosmologia, síntese de memória espiritual da humanidade, cujas raizes mergulham na Tradição Mítica Lusa e Universal...

 

 


    
Logo à entrada, o imenso Jardim e seus espaços edénicos, representação do microcosmos, é revelado pela sucessão de lugares imbuídos de magia e mistério.  O 'Paraiso'  é materializado em coexistência com  "inferius"  - um mundo subterrâneo pelo qual o neófito seria conduzido pelo fio de Ariadne da Iniciação -  concretiza-se pois com estes cenários a representação duma  viagem iniciática, qual
"vera peregrinatio mundi", por um caminho simbólico onde podemos sentir a Harmonia das Esferas e perscrutar o alinhamento de uma ascese de consciência que viaja pelas grandes epopeias.  Nele se vislumbram referências à mitologia, ao Olimpo, a Virgílio, a Dante, a Camões, à missão templária da Ordem de Cristo, a grandes místicos e taumaturgos, aos enigmas da Arte Real, à Magna Obra Alquímica"... 

 

 

     De toda a Qtª e seus lugares encantados, destaca-se o famoso Poço Iniciático que dá acesso ás profundezas da terra  com  9  patamares da base até ao topo...  Ele tem uma enorme simbologia, pois na descida nos vamos confrontando com o nosso interior, os nossos temores, as nossas  trevas  da qual só saimos pela luz do conhecimento superior simbolizado no fundo do poço pela Cruz Templária formando uma roseta de 8 pontas (rosa + cruz) onde se fazia a Iniciação.  Os poços revestem-se, em todas as tradições, de um carácter sagrado por realizarem uma síntese de três ordens cósmicas: céu, terra e inferno, e de três dos quatro elementos: água, terra e fogo, e também as 3 vias conhecidas por  'Via Húmida', 'Via Seca' e 'Via Breve' da Maçonaria.

 

 

     Toda a Quinta denota requinte e bom gosto, apresentando toda uma simbologia sagrada de pendor Judaico-Cristã e Gnóstica com iconologia aqui e ali inspirada na Tradição Hermética da Alquimia. Tudo está no lugar certo, tudo obedece aos cânones da Tradição e do Templo, cuja decifração obriga à iniciação na leitura superior ou francamente espiritual, onde a mensagem velada numa peça cola com a de outra e outra, cada qual um capítulo, todos juntos formando um extraordinário Liber Mutus que é toda a Regaleira.

 

 

    Enfim, só quem contempla com olhos de ver, sente algo em seu coração que não pode descrever mas sabe que em Sintra há Mistérios, há Magia, que estão além da imaginação.

  Rui Palmela

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