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"UM VAZIO NO TEMPO"
Este texto maravilhoso de Raúl Solnado foi colocado junto à sua urna. Ele exprime um sentimento único revelado por palavras que nunca foram ditas em público e que são dignas de ser conhecidas e lembradas neste espaço em sua memória: "Numa
das últimas vezes que estive na Expo de Lisboa, descobri estranhamente
uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos
corridos. Nada mais tinha. Não existia qualquer sinal religioso e por
essa razão pensei que aquele espaço se tratava dum templo grandioso. Quase
como um espanto senti uma sensação que nunca sentira antes e de repente
uma enorme vontade de rezar não sei a quê ou a quem. Fechei os olhos,
apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a sentir uma emoção
rara, um silêncio absoluto e tudo o que pensava só podia ser trazido por
um Deus que ali deveria viver e que me ia envolvendo no meu corpo
adormecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante,
naquela serenidade, naquela paz. Quando
os meus olhos se abriram, aquele meu Deus tinha desaparecido em qualquer
canto que só ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu e quando
saí daquela porta corri para a beira do Tejo para dar um berro de gratidão
com a minha alma e sorri para o Universo. Aquela
vírgula no tempo, foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a
minha vida, que me fez reencontrar e que me deu a esperança de que num
tempo que seja breve, me volte a acontecer. Raul Solnado O
grande humorista e actor de “mil caras” Raul Solnado divertiu durante
décadas o povo português, tendo sido homenageado pelo Presidente da República
(Dr. Jorge Sampaio) do qual recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D.
Henrique no dia 10 de Junho de 2004, merecendo também a Medalha de Ouro
da Cidade de Lisboa no ano de 2002. Homem de grande carácter e dignidade mereceu todo o respeito e carinho de
todos os que choraram sua morte no dia 8 de Agosto de 2009, vítima de
doença cardiovascular. Milhares de pessoas o aplaudiram no féretro fúnebre. Deixou uma vasta obra realizada, inclusive a Casa do Artista que fundou
juntamente com Armando Cortez e outros, tendo sido seu Director até ao
dia de sua partida deste Mundo. Que ele encontre o tal Deus que sentiu dentro de si naquele momento único que referiu no texto acima transcrito. Creio que partiu feliz tal como desejava a toda a gente dizendo:
“FAÇAM
O FAVOR DE SER FELIZES” Rui Palmela
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